VOLTAR
08/10/2015
Para apreciar e aproveitar a varanda
A+    A-


Para apreciar e aproveitar a varanda

A transformação das residências segue na mesma velocidade que as mudanças por que passa a sociedade. Os dias passam rapidamente e a vida vai ficando cada vez mais corrida. Talvez seja por esse motivo que as varandas estejam ganhando mais status nas residências, assim como atenção dos moradores, que destinaram esse espaço para os momentos de lazer e convivência em família e com amigos. Para esta edição, convidamos alguns dos mais respeitados arquitetos de Uberaba para mostrar projetos de varandas sensacionais e dar dicas preciosas para você aproveitar na sua casa ou no seu apartamento.

Por Helena Cunha

 

Varandas

Independente do tamanho do terreno, tornou-se impensável construir ou reformar a casa sem prever um espaço para a varanda. Por isso, os projetos passaram a valorizar esse ambiente com uma boa iluminação, variada paleta de cores, móveis de estilo e revestimentos mais modernos e requintados. De uns tempos para cá, a varanda conquistou status de celebridade em todo projeto arquitetônico que se preze. Além disso, na maioria das vezes, ela é o espaço mais utilizado pelos moradores, relegando o living para segundo plano.  

Depois de ter assinado algumas das mais belas varandas da cidade, o designer de interiores Luciano Martins conta que, na idealização de um projeto residencial, o aproveitamento do terreno em relação à construção da varanda deve ser pensado desde o princípio, sobretudo considerando a forma, a necessidade de ocupação do espaço e seu uso futuro pelos moradores. “As varandas podem ter vários formatos, em L ou retangulares, apoiadas em paredes da casa ou fazendo apoio para espaço gourmet e spa. Quando o espaço destinado à varanda é bem equacionado, não há necessidade de termos terreno com proporções gigantescas”, ensina.

A arquiteta Juliana Melo ressalta, ainda, que “o projeto como um todo deve seguir uma harmonia de linguagem arquitetônica, adotada desde o início da concepção. 

A varanda pode seguir vários estilos, mas, na minha opinião, ela só deve seguir uma linha de design, já pensada como um todo do projeto”.

Dependendo do formato do terreno e de como foi aproveitado para a construção da casa, a área proposta para a varanda pode ser pequena ou em “L”, o que não impede que esse espaço se torne atraente, aconchegante e cheio de estilo. A designer de interiores Márcia Hueb explica que “hoje é muito usual fechar as varandas com cortinas de vidro para o melhor aproveitamento do espaço e integração na casa ou no apartamento. Em residências com áreas grandes, é comum criar um lindo jardim e espaços de lazer com piscinas e varanda gourmet. Podemos usar, por exemplo, materiais que dão charme ao ambiente, como madeira de demolição, azulejos hidráulicos e móveis antigos laqueados em cores fortes, como destaque, para compor a decoração”, comenta.

Como foco de atenções na casa, a varanda também pode ter certo “quê” de sofisticação. A arquiteta Cristiana Terra Bento destaca que, nesses casos, “as varandas servem para fazer a ponte entre o corpo da casa e as áreas externas, com piscinas ou somente jardins. Por isso, muitas vezes os moradores optam por fechamento da varanda, podendo utilizar vidro, cortinas ou toldos (motorizados ou não) para controle da ventilação e a iluminação natural. Além disso, pode ser agregado um bom projeto luminotécnico, com pontos de luz dirigida e luz indireta, como, por exemplo, abajures. Tudo isso valoriza o projeto e cria um espaço agradável de convivência”.

O fechamento da varanda com os famosos “panos”  de vidro tem outras vantagens, além da beleza e elegância. 

O arquiteto Paulo Trajano ressalta que essa “moda” serve para manter as varandas mais limpas nos períodos de chuva ou quando a ventania traz a poeira para casa. Paralelamente, o fechamento com vidro permite o uso da varanda como sala, em épocas mais frias ou à noite. “Muitas vezes a sala e a varanda são um espaço único e, nesse caso, o vidro se torna essencial”.

Outra ideia de charme na varanda passa pela instalação de ofurô ou uma hidro, no próprio espaço da varanda ou em áreas abertas e próximas. “Assim, elas acabam tendo mais uso do que as banheiras colocadas no banheiro. Além disso, a opção por uma hidro social a céu aberto, ao invés de uma piscina, tem a vantagem dos custos de construção e manutenção”, comenta Paulo.

 

 

Paleta de cores

Definido o formato da varanda e viabilizado o projeto, chega a hora da escolha dos detalhes. E aí surgem sempre muitas dúvidas. A começar pela definição das cores. Pois saiba que no mercado há uma infinidade de opções. Assim como a indústria da moda elege uma cor para ser tendência na próxima estação, o segmento de tintas define a cor que estará presente nas mostras e feiras voltadas para o mercado de arquitetura e design. Mas todo cuidado é pouco na hora de definir as cores. Embora os profissionais da área afirmem que tudo pode ser usado na decoração, desde que haja harmonia e equilíbrio, não caia na tentação dos modismos. 

A arquiteta Juliana Melo sugere o uso do cinza em um tom mais quente, como o cimento queimado. Segundo ela, esse tom faz uma composição harmônica e chique com a madeira e pedras rústicas. “Nesse caso, temos espaço para trabalhar com cores tanto em pintura quanto na decoração e em revestimentos, que são tendências, como alguns retrôs e ladrilhos hidráulicos. Cores como cinza-ardósia, marinho e cáqui traduzem o contemporâneo. Outra tendência é a composição orgânica, que valoriza a natureza em tons de sépia, ocre, terracota e argila. Todos esses tons podem aparecer na pintura ou em outros materiais de acabamento, como pisos, revestimentos em pedras e marmoraria das bancadas”, orienta. 

Márcia Hueb, por sua vez, alerta que o uso de cores requer cuidado. Tudo tem que ser dosado. “Eu prefiro tons claros e neutros na pintura das paredes, deixando o uso de outras cores para a decoração, seja nos quadros, almofadas ou enfeites”, opina.

 

Diversidade nos acabamentos

Os detalhes fazem toda a diferença em um projeto de decoração. Independente do tamanho e do estilo da varanda, há uma gama enorme de opções em revestimentos, piso e iluminação. A cada dia o mercado oferece novidades que deixam qualquer um inseguro para fazer a escolha certa. 

Segundo Juliana Melo, as composições com mais unicidade criam ambientes mais amplos, limpos e contemporâneos. Uma excelente estratégia para criar a sensação de amplitude é usar o mesmo piso e manter o nível da sala na varanda, tornando um ambiente sequencial ao outro e apenas separados por painéis de vidro. O externo e o interno se fundem, criando um espaço mais valorizado. “Nesse caso, temos que tomar cuidado com o tipo de piso a ser usado. Particularmente, não indico pisos polidos para a varanda. Como a varanda deve ser um espaço de aconchego para se reunir com mais despojamento e informalidade, alguns toques fazem a diferença, como no caso da composição acertada de materiais”, ressalta. 

O arquiteto Paulo Trajano também alerta que o ideal são pisos antiderrapantes, que suportam água de chuva e alguma incidência solar, podendo ser porcelanatos (que não tenham a superfície lisa), mármores ou porcelanatos não polidos, jateados, pisos cimentícios e pedras rústicas em geral. Já os pisos vinílicos, paviflex e compensados de madeira são contraindicados, segundo Trajano. “A madeira até pode ser usada, mas tem que ser seca e provida de tratamento e aplicação de verniz para suportar as intempéries, não sendo, na maioria dos casos, a melhor opção. A madeira para deck, em área externa e sujeita a intempéries, necessita de tratamento, aplicação de verniz e requer manutenção periódica, como reaplicação de verniz. Não é  difícil, é uma manutenção básica, mas é importante que seja madeira seca e de qualidade. Caso contrário, realmente não vai durar, independente da manutenção”.

Além disso, Paulo Trajano comenta que “um bom projeto sempre será atual e uma referência da época em que foi construído. O azulejo hidráulico, por exemplo, já teve seu apogeu, mas ainda é utilizado e muito desejado, oferecendo o efeito 'retrô', que caminha em grande sintonia com a arquitetura contemporânea. Aliás, atualmente o mercado oferece porcelanatos em releitura de azulejos hidráulicos”.

 

Gesso ou madeira? 

 

Embora pareça banal, a cobertura da varanda ganha contornos de diferencial na decoração atualmente. Luciano Martins explica que há vários materiais disponíveis no mercado, como a madeira rústica, madeira roliça aparente (eucalipto tratado) ou até mesmo a palha (esteira de praia), utilizada entre os vãos da madeira para criar um efeito interessante, com toques de brasilidade. Há, ainda,  coberturas à base de palha de coqueiro (piaçava), que conferem um estilo meio casa de praia à varanda. Vale destacar que, neste caso, a manutenção é bem mais complexa, pois o material resseca com o tempo, impondo sua troca.

Rosemary Ribeiro, por sua vez, frisa que em matéria de custo-benefício o forro em gesso oferece um leque enorme de opções para personalizar o ambiente, desde o projeto luminotécnico ao efeito de rebaixos e sancas, criando ambientes versáteis e modernos. 

Outra proposta a ser considerada é a cobertura com telhas metálicas termoacústicas, tipo sanduíche, com forro de gesso ou madeira, sobre laje e até mesmo aparente, pré-pintada, para opções mais econômicas. Paulo Trajano tem usado muito esse tipo de cobertura e explica que “a telha metálica permite inclinações menores, favorecendo o telhado “plano” para concepções arquitetônicas contemporâneas. Outra opção é a laje impermeabilizada, que pode ser aproveitada como terraço no nível superior ou suportar um jardim, conformando o que chamamos de “cobertura verde” e permitindo ótima condição térmica. É interessante também o prolongamento da cobertura através de pérgolas, que ajudam na proteção solar e incrementam a estética da varanda. Se for bem feita, tem boa durabilidade, devendo sofrer aplicação de composto antichamas, devido à sua característica inflamável. Mas a dificuldade de mão de obra na região faz com que essa cobertura acabe ficando mais cara”, revela.

 

Trabalhando a luz

A iluminação é outro item indispensável na concepção de uma varanda bacana e aconchegante. É ela que vai valorizar a arquitetura e dar visibilidade ao espaço. Segundo Paulo Trajano, um projeto de iluminação deve diferenciar a ambientação, ressaltar os materiais e sintonizar-se entre a claridade difusa e o aconchego da meia-luz de foco, o branco e o âmbar, de acordo com o perfil de uso e estética que se quer proporcionar. “A iluminação de led é o hit do momento”, comenta. 

Juliana Melo completa, ressaltando que o projeto luminotécnico deve garantir não só a estética da composição, mas igualmente a qualidade da iluminação. “Hoje temos a liberdade de poder escolher entre embutidos de módulos de led ou pendentes, mas tudo deve ser tecnicamente especificado. Trabalhar com o led embutido, compondo com pendentes sobre as bancadas, cria um efeito muito interessante, valorizando os ambientes. No mercado da iluminação temos várias opções de pendentes para varanda, coloridos, de cerâmica ou metal”.

 

Atenção ao mobiliário

Agora, sim, a varanda vai ganhar personalidade! É hora de escolher os móveis.  Diversos modelos e estilos de bancos, poltronas, sofás, espreguiçadeiras, aparadores e mesas contribuem para a composição estética, além de trazer conforto e aconchego para o espaço.

“A varanda deve ser confortável e despojada, e os móveis, funcionais”, orienta Juliana Melo. “Os tecidos náuticos, laváveis, mais rústicos e de couro são os indicados na composição de móveis em madeira, alumínio e junco natural ou sintético, pois são materiais mais resistentes para áreas mais abertas. Já para os móveis, os ideais são os que permitem mais flexibilidade no uso dos ambientes, pois a varanda pode se transformar conforme a necessidade da família. Neste caso, não indico os móveis em alvenaria”, completa Juliana Melo. 

O designer Luciano Martins comenta que a escolha do mobiliário tem de levar em conta o estilo e a proposta da decoração. Segundo ele, “tecidos de algodão e linho, almofadas de pena, texturas de efeito cromático, estrutura das mesas em materiais apropriados, como o junco natural, sintético, bambu e madeira cumaru, são ótimas escolhas”. 

Para as mesas, que têm a função de reunir as pessoas para um bate-papo e para saborear um bom prato, a preferência, segundo Luciano, deve ser por aquelas de tampos de manutenção fácil, como pedra e madeira. Mas ele adverte: “O vidro deve ser usado com certo critério. Quando a mesa estiver perto, por exemplo, de um espaço gourmet com churrasqueira, o vidro deve ser coberto por forros ou toalhas para não passar a impressão de sujeira”.

 

Toques na decoração

O próximo passo é definir os estofados dos móveis, tapetes, abajures e objetos de decoração, que terão a função de dar um toque de descontração e requinte à varanda. São esses detalhes que vão finalizar a composição do ambiente.

Juliana Melo explica que os adornos de decoração são muito bem-vindos para criar uma atmosfera agradável e interessante. “Muito usados, os vasos artesanais, vietnamitas laqueados, lanternas com velas, futons e almofadas de chão dão um charme na décor”. 

Por sua vez, Cristiana Terra Bento sugere o uso de materiais práticos e de fácil manutenção: “Vale investir em belas esculturas de paredes, garden seat, cachepots, telas com motivos campestres e animais silvestres, almofadas e adornos que possam levar cor, alegria e aconchego para a varanda”.

Para complementar a decoração, a designer de interiores Márcia Hueb sugere utilizar detalhes em mármore, mesas grandes, poltronas confortáveis e cortinas mais fluidas, dando ar de frescor ao ambiente. “Além disso, podemos trazer um pouco do verde para dentro das varandas, com grandes vasos e painéis verdes”, comenta. O importante, segundo a designer, é que os objetos tragam personalidade ao ambiente, além de deixá-lo aconchegante para que todos possam se sentir bem na varanda. 

JM Magazine 58

JÁ NAS BANCAS!





AMPLIAR CAPA
Social:
ENQUETE



EMPRESAS DO GRUPO JM DE COMUNICAÇÃO
Publicidade: (34) 3331.7900 ou contato@jmmagazine.com.br
www.jmmagazine.com.br © 2017 · Todos os direitos reservados
AGÊNCIA DIGITAL