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25/04/2016
2016: UMA ODISSEIA NO BRASIL
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Enquanto palavras como impeachment, crise econômica, escândalos, inflação e protestos foram repetidas ao longo de 2015, insegurança agora define o sentimento da maioria dos brasileiros para entrar o novo ano. O consumo já está com o pé no freio. Em resposta, a indústria também diminuiu a produção e cortou pessoal, acompanhando a retração de investimentos por parte de todo o empresariado.

Projeções do Banco Central apontam recuo de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e a estimativa para 2016 já é de queda em torno de 1,5%. A mesma tendência negativa acompanha os números da produção industrial, que deverá cair aproximadamente 7% agora e mais 1,5% nos próximos doze meses.

Para tentar sair da crise política e econômica, o governo federal até eliminou oito ministérios e anunciou a redução de cargos comissionados. A medida, no entanto, pode não ser suficiente para recuperar a confiança dos empresários e aquecer o mercado em 2.016.

O cientista político René Bernardes teme, por exemplo, que o tamanho dos cortes não seja significativo para representar economia.  “O resultado depende do que será efetivamente realizado. Mas a redução de cargos comissionados sempre passa pela questão da estabilidade política, pois o apoio a políticas governamentais tem sido conquistado pela presença de aliados na estrutura do governo. Quando se fala em cortar esses cargos, começa a ter problemas de negociação política no Congresso Nacional e  a matar a governabilidade. É uma situação delicada”, ressalta.

Bernardes também não acredita que a reforma ministerial será acompanhada por uma política mais profunda de redução dos gastos públicos, incluindo despesas com viagens, telefones, cartões corporativos e outros benefícios. “O governo teria que mostrar ser capaz de aprender com os erros e não provou isso até agora”, acrescenta.

"O governo teria que mostrar ser capaz de aprender com os erros e não provou isso até agora"

Qual seria, então, a estratégia para contornar a recessão econômica? O analista político arrisca que o governo vai apostar em medidas paliativas, como abaixar o preço da gasolina, conceder linhas de crédito para casa própria ou oferecer incentivos para segurar o preço da cesta básica. Com isso, ele adianta que haverá uma aparência de melhora na situação do país durante o ano das eleições municipais.

O problema, conforme Bernardes, é que as ações de curto prazo atacam apenas os efeitos negativos da crise. No entanto, as causas não serão tratadas e a recessão econômica vai continuar. “Não vejo uma resposta compatível do governo às manifestações populares até agora. Não estão levando a sério os protestos. E 2016 será muito importante porque, além da pressão dos movimentos de rua, as urnas servirão como termômetro da insatisfação popular. Político não gosta de perder voto. Se começarem a perder espaço nos municípios, acredito que os governantes vão passar a atentar para a necessidade de mudanças estruturais”, pondera.

 

Virando o jogo

O sociólogo Cristiano Pires também avalia que a agenda de protestos e greves continuará pesada em 2016 para cobrar reformas estruturais em áreas como Previdência, Educação e Saúde. Segundo ele, tratar as questões de longo prazo é essencial para dar segurança aos brasileiros e seria uma estratégia para começar a estabilizar a crise política. 

Para o escritor Renato Muniz, a fase de turbulência enfrentada no Brasil só poderá ser superada com diálogo entre todos os segmentos e sem radicalismo das partes envolvidas. Por isso, ele espera bom senso dos governantes e, também, dos diversos grupos de manifestantes. “É preciso que o governo ouça o que os movimentos querem e avalie se é possível chegar a um consenso, mas é igualmente necessário o amadurecimento das pautas. Não se pode parar a produção do país porque não se gosta de quem está no poder. Isso prejudica o Brasil”, alerta.

Se o objetivo é superar o clima de instabilidade que estrangulou o mercado, Muniz argumenta que cada segmento precisará ceder em alguns pontos, principalmente na queda de braço entre o Executivo e o Legislativo. Apesar dos embates, ele acredita que 2016 será um ano favorável para apaziguar os ânimos por causa do efeito das eleições municipais.

 

Na ponta do lápis

Depois de um ano fraco para negócios, as eleições municipais são aguardadas como oportunidade para aquecer alguns setores do mercado. As campanhas devem abrir postos temporários de trabalho, movimentar as gráficas, agências de publicidade e empresas de produção visual. Mesmo com o fôlego previsto para determinados nichos, a economista Núbia Ferreira alerta que o resultado não será suficiente para baixar a taxa de juros, a inflação e os índices de desemprego. “As projeções são de uma piora nos indicadores futuros. Ou seja, a tendência é a recessão continuar, com desemprego em alta, taxa de juros e inflação elevadas. O cenário não é dos mais agradáveis”, avalia.

Diante das perspectivas, Núbia afirma que 2016 será um ano para cautela, sem estripulias nos gastos, e de planejamento. Ela recomenda, por exemplo, que o consumidor reserve o dinheiro do décimo terceiro para despesas como IPVA, IPTU e material escolar no começo do ano que vem. Já para quem está com dívidas no cheque especial ou cartão de crédito financiado, a dica é utilizar os recursos para liquidar o débito. Além disso, a economista orienta os trabalhadores, afirmando que esta não é uma época salutar para aventuras. Então, pedir demissão do atual emprego é uma decisão para ser tomada apenas se houver outra oferta em vista. 

Embora o quadro geral seja de retração, a especialista pondera que ações podem surgir ao longo do caminho e aliviar a economia. Ela cita o pacote de concessões do governo federal como um possível impulso para o mercado em 2016. 

A previsão é aplicar quase R$ 70 bilhões em investimentos na área de infraestrutura até 2018, conforme projeto anunciado em junho. Caso os leilões sejam liberados nos próximos meses, Núbia salienta que o setor privado teria perspectiva para aumentar a produção e ampliar a geração de empregos. “O próprio governo percebeu que não dá para ficar batendo na tecla de mais imposto e começou a pensar um pouco mais em fazer PPPs com setor privado para obras de infraestrutura, como rodovia, ferrovia, porto, aeroporto e sistema aquaviário. São investimentos possíveis, mas que o governo não tem dinheiro para fazer. Então, torna-se uma oportunidade de negócio para o empresariado”, explica. Outra chance para os lucros, segundo a economista, pode ser a alta do dólar. Ela estima que a moeda americana deverá permanecer no patamar de 

R$3,80, o que representa competitividade para a exportação do produto nacional e a entrada de receitas extras para o país. “Vai ser um ano difícil, mas o Brasil não para. Este país é maior do que as crises todas”, conclui.

Dicas de quem entende

* Planeje a receita disponível e os gastos no decorrer do ano

* Use o décimo terceiro para quitar dívidas com cheque especial e cartão de crédito financiado; ou reserve o dinheiro para as despesas extras do início de ano (impostos, matrícula, material escolar)

* Boa hora para comprar carro usado. O veículo novo está mais caro com o fim da isenção de IPI e o financiamento, com juros altos.

* Na hora de investir o dinheiro guardado, a poupança é uma boa pedida para quem tem volume pequeno e que será utilizado em curto prazo. 

A partir de R$ 10 mil, se não houver intenção de gastar o recurso em breve, é melhor conversar com o gerente do banco e escolher uma aplicação financeira mais rentável.

 

UBERABA VAI ÀS URNAS  

 Com pretensos candidatos já pipocando nos bastidores políticos, entrevistados ouvidos pela JM Magazine esperam mais de dois nomes para a disputa pelo comando da Prefeitura no primeiro turno. O escritor Renato Muniz salienta que Uberaba tem, no mínimo, três forças políticas que estarão representadas na eleição: o atual prefeito Paulo Piau (PMDB), candidato à reeleição; o ex-prefeito Anderson Adauto (PP), com um grupo de oposição, e também uma terceira via. Muniz acredita que dificilmente o vencedor será conhecido já no dia 2 de outubro. “Acredito que não haverá polarização logo no primeiro turno. O pleito será decidido na segunda rodada”, antecipa.

 

Já o analista político René Bernardes pondera que a presença do atual prefeito e do antecessor no processo eleitoral significaria uma campanha bastante acirrada, com enfoque na comparação da capacidade governativa dos dois gestores. “O povo tem condições de comparar um com outro e ver quem trabalha melhor, olhando se serviços públicos estão mais satisfatórios ou menos do que naquela época”, completa, preferindo não opinar a quem favoreceria a análise: “Não temos pesquisas ainda para falar sobre o quadro geral”. Mesmo com o possível embate direto entre Piau e Adauto, o especialista reforça que há espaço para outras candidaturas majoritárias. Ele acredita no lançamento de mais nomes na disputa em 2016, pois se trata também de uma estratégia dos partidos para fortalecer a votação da chapa de vereadores.

O  que  dizem  os  astros  sobre  o  novo  ano?

A esotérica Marta Bruno explica que 2016 será um período para colher as consequências de ações anteriores, planejar e provocar mudanças. Com isso, ela analisa que será uma etapa marcada por transformações e encerramento de ciclos. A dica, conforme a astróloga, é priorizar metas, porque será um ano lento e não adianta ter pressa.

Quanto às eleições, Marta pondera que as runas indicam que será uma fase de aprendizado. Segundo ela, serão reveladas limitações que impedem o alcance de novas realizações e o momento será para reestruturação. A esotérica também analisou a numerologia dos políticos de Uberaba e dos governantes de Minas Gerais e do Brasil. Veja o que os números revelaram:

JM Magazine 58

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