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06/01/2015
Filho adolescente? E agora?
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De repente, a criança se foi! O carinho das palavras foi trocado pela superficialidade de expressões, como “véi”, “tipo”, “massa”, “louco”. O tempo reservado a vocês acabou substituído pelas horas de dedo no aparelho celular ou no tablete. Olhos são para as séries de televisão. Ouvidos para as músicas de rock ou pop que não fazem sentido para você. Mãos para abraçar os amigos, os ficantes, os namorados. Como lidar com esse novo comportamento, tão distante de seus valores e de suas expectativas?

POR INDIARA FERREIRA

Quando você pensa em adolescência saudável, certamente, vem à cabeça um grupo conversando na porta de casa, gastando energia em jogos, ouvindo música no som do carro, fazendo uma festa de garagem ou num barzinho, bebendo, no máximo, hi-fi, cuba libre ou uma cervejinha. Neste imaginário, é certo que os pais não tinham muito com o que se preocupar. Sabiam que os filhos estavam por perto e também quem eram os amigos deles e suas famílias. 

Este modelo não existe mais, como no século passado. Surge então a velha dificuldade humana de lidar com o que não lhe é comum. Pior ainda. A gente parece se esquecer da ousadia típica da adolescência e das aventuras com as quais nos envolvíamos, ingenuamente ou nem tanto. De repente, pais e mães passam a cobrar dos filhos adolescentes a postura do adulto, mas sequer desejaram ou prepararam os pequenos para tal. Esta não é uma realidade comum só a você. Parece que, além da família, a escola ainda não aprendeu a lidar com essa geração de adolescentes contemporânea, que busca, sobretudo, resultados práticos e imediatos.

Graduada em Psicologia e Direito, a presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), núcleo de Uberaba (MG), Marli Assis, acredita que a incessante e incansável busca pelo novo realmente move os jovens. “Eles buscam um novo saber, uma nova tecnologia, um novo produto, a música do momento, uma nova garota ou garoto para ‘ficar’. Uma tendência que reflete nas chamadas escolhas e relações líquidas. São relações que não se solidificam enquanto experiências com o devido significado. Resultam de vínculos demarcados por significantes, cuja função quase sempre está vinculada ao desamparo vivenciado pelo adolescente”.

A Geração Digital ou Geração Z parece realmente preocupada, cada vez mais, com a conectabilidade, de forma permanente. A alegria, a força e o vigor estão relacionados diretamente ao mundo virtual. Plugada na internet, desde a primeira infância, por meio das novas babás eletrônicas (tablets e celulares), ela não conhece a hierarquia, pois online esta fronteira praticamente não existe. Todos são autores do próprio conteúdo e compartilham visões sem censura explícita, bem diferente das relações tradicionais.

“Os limites impostos pelos pais precisam ser consistentes. O adolescente busca coerência entre o que é cobrado e as atitudes/escolhas dos pais. Se não encontra correspondência, confronta e, então, está estabelecido um embate. Para que haja uma identificação com os limites impostos por qualquer figura de autoridade, é necessária a devida correspondência, em especial, quanto à coerência”, salienta Marli, que atua como mediadora interdisciplinar familiar e mediadora judicial.

Não resta dúvida de que os jovens atuais são muito mais informados, porém com menor profundidade. Parece que, assim como os aparelhos eletrônicos, eles também funcionam na ação e reação. A impressão é de que não há mais tempo para se aprofundar no assunto. O raciocínio tem que ser rápido. Uma espécie de atropelo de informação, em especial, se não há um interesse específico. A comunicação feita por poucas palavras parece bastar para contextualizar uma ideia. Exemplos desta nova era são o Twitter e seus 140 caracteres; o Instagram, exibindo fotos e legendas concisas, ou o WhatsApp, que limitou o uso das ligações telefônicas em todas as idades e introduziu uma objetividade absoluta por palavras ou voz.  

O interesse parece estar somente no que está ao alcance do teclado deles e, acredite, pais e mães contribuem com este novo modelo de comportamento. De acordo com Marli Assis, a sobrecarga de horas na jornada de trabalho dos pais tem implicado numa quase ausência afetiva na vida dos filhos. O tempo de convivência em família é diluído na rotina, restando muito pouco ao estar comprometido com o outro, numa relação de cuidado e de afeto.

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